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Motorclássico reúne automóveis de fabrico português em Lisboa
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Automóveis produzidos em Portugal entre 1933 e 1982

A exposição 'Automóveis Portugueses', um dos destaques da 6ª edição do Motorclássico – Salão Internacional de Automóveis e Motociclos Clássicos, vai permitir reconstituir momentos áureos da engenharia automóvel em Portugal. Do Felcom de 1933 ao Sado de 1982, todas as máquinas feitas em Portugal têm uma história para contar, e algumas estiveram fora do olhar do público praticamente desde a sua criação há mais de 50 anos.

Em Portugal, foram produzidos carros de competição, como o Felcom (1933), o Edfor (1937) o MG Canelas (1952) e o Alba (1952-54), entre outros. Mas, no nosso país também se produziram utilitários, como o Lusito (1955) ou o Sado, de 1982. O UMM é outro dos clássicos portugueses incontornáveis, que poderá ser visto no maior evento português relacionado com a temática dos Clássicos e da História automóvel e que este ano disponibiliza a maior área de exposição de sempre, cerca de 15 mil m².

Histórias e características de alguns veículos da exposição 'Automóveis Portugueses':

ALBA (1952-54)
A fábrica metalúrgica Alba em Albergaria-a-Velha era, no início dos anos 50, uma grande unidade industrial, pertencente ao Comendador Martins Pereira. O filho, António Augusto Martins Pereira era um grande entusiasta do desporto automóvel e resolveu criar a marca Alba vocacionada para a competição. O primeiro Alba foi desenhado e construído em 1952, e representou um notável progresso estilístico quando comparado com os DM ou os FAP da época, que tinham uma estética mais arcaica. Na equipa Alba, para além de Martins Pereira, outro nome deve ser destacado: o de Francisco Corte Real Pereira, piloto e mecânico de bom nível. Vencedor em 1951 e 52 da classe 1100 c.c. no Circuito da Boavista, ajudou a desenvolver o Alba e a torná-lo num carro ganhador. Com três automóveis produzidos, a Alba tinha uma estratégia: Corte Real tinha a seu cargo os circuitos e Martins Pereira dedicava-se às provas de regularidade nos ralis. A Alba veio a desenvolver vários motores e a 'jóia da coroa' dos motores Alba, seria o projecto próprio, elaborado na metalurgia Alba, todo em alumínio, com duas árvores de cames à cabeça e duas velas por cilindro. A carreira da Alba prolongou-se durante bastante tempo e em 1961 Corte Real Pereira ainda participou no Rali Nocturno de Salgueiros, onde obteve a 3ª posição absoluta. Ficha técnica: 90 cv; 4 cil.; 1500 cc; 4 velocidades; chassis 508-c-229808; 200 km/h

IPA (1954)
Apresentado na Feira das Indústrias de 1958, o IPA 300 foi referenciado como um dos expoentes da indústria metalo-mecânica nacional da época. O IPA 300 foi mostrado em duas versões de carroçaria distintas: a primeira numa versão 2+2 e a segunda num elegante Coupé. A base mecânica era a do veículo inglês Astra, um pequeno veículo comercial equipado com um motor British Anzani de 2 cilindros, 2 tempos, com aproximadamente 15 cv que correspondia por inteiro às necessidades de motorização de uma família típica portuguesa com duas crianças. Com esta base, desenvolveram-se então os dois veículos que faziam parte de uma pré-série de cinco. O primeiro foi solenemente apresentado na Feira das Indústrias Portuguesas de 1958, com a presença do presidente da República, Craveiro Lopes, e de Marcello Caetano, constituindo quase que a jóia da Coroa da exposição. Mas, nunca saiu do estado de protótipo, pois a licença para o fabrico em série teve a feroz oposição de então Secretário de Estado da Indústria, que havia já optado por outra direcção na política industrial e que passava pela montagem, no nosso país, de veículos em CKD de marcas europeias e americanas. Foram emitidos livretes para as duas viaturas, mas de duração limitada, e o processo encerrou definitivamente com uma proibição regulamentar. Ficha técnica: 15 CV; 2 Cil.; 300 CC; 3 Velocidades

UMM (1981)
A empresa começou a laborar a 4 de Julho de 1977, depois de um acordo entre a MOCAR e a União Metalo Mecânica para o fabrico e montagem de viaturas que pelas suas características possibilitassem grande incorporação nacional e permitissem uma produção rentável em séries inferiores a 100 unidades por dia. A escolha recaiu sobre uma viatura ligeira 4X4, com facilidade de adaptação a múltiplos fins. As carroçarias eram feitas em Mem Martins, para depois seguirem para a montagem e pintura em Setúbal, numa linha de montagem própria da UMM. Confrontada com a concorrência, a empresa não resistiu. A UMM chegou a correr no Dakar: a presença do, então, 'recém-nascido' construtor português no famoso Paris-Dakar de 1982, 1983 e 1984 constituiu não só um teste da resistência e aptidão destes veículos como também um autêntico desafio para os técnicos portugueses que conceberam a viatura. Os bons resultados conseguidos por esta equipa durante as últimas edições da prova, motivaram o alargamento da representação, levando a UMM a apresentar-se com cinco viaturas em 1984, sendo o melhor resultado um 34º lugar da geral (com o 5ª numa etapa) alcançado nesse ano. Ficha técnica: 75 cv; 4 cil.; 2700 cc; 4 velocidades; 1500 kg e 120 km/h

SADO (1982)
No final da década de 70, numa época de forte contenção económica, o Entreposto lançou a proposta 'made in Portugal' para a produção de um automóvel citadino: o Sado. Esta ideia surgiu para inverter a tendência das crescentes dificuldades que o sector automóvel atravessava, em consequência dos aumentos dos custos e da redução das vendas. O Entreposto assumiu um papel criador e empreendedor ao lançar o 'Projecto Ximba', que viria a ter duas fases bem distintas. Uma primeira fase, entre 1975 e 1978, e que se pode considerar como a fase de definição básica do produto a fabricar. A segunda fase, entre 1979 e 1982 e que consistiu em detalhar, fabricar, testar e desenvolver, todos os aspectos do veículo, de modo a garantir a sua produção em termos economicamente viáveis e uma utilização simples, fiável e económica. Este veículo seria uma economia de divisas para o país, procurando utilizar o máximo de incorporação nacional que era tecnicamente possível no momento, e uma economia para o comprador, uma vez que o seu custo inicial era inferior aos veículos automóveis existentes no mercado. O seu objectivo era ser funcional e ter baixos custos de produção e manutenção aliado à fiabilidade bem como um consumo reduzido. Utilizou quase 70% de incorporação nacional, incluindo a mão-de-obra. Industrialmente a ideia iria vingar no início da década de 80. Pela sua limitada produção, é um veículo quase desconhecido da maioria das pessoas. Posto à venda em 1982 por cerca de 262.125 escudos, o carro não chegava para as encomendas, o que fez com que as primeiras 50 viaturas feitas e postas à venda pelo Entreposto se esgotassem rapidamente, surgindo as inevitáveis listas de espera. Ficha técnica: 28 cv; 2 cil.; 547 cc; 4 velocidades; chassis x31-0880; 480 kg; 110 km/h

Actividades programadas para o Salão Motorclássico:
Sexta-Feira, 19 de Março

18h - Inauguração do Motorclássico
Sábado, 20 de Março
11h - Chegada dos participantes do encontro da Classicmotorsport (50 veículos)
15h - Chegada dos participantes do encontro do Clube Lotus de Portugal (10 veículos)
Chegada dos participantes do Passeio da Primavera do ACP Clássicos (120 veículos)
Chegada dos participantes do encontro do Clube Fiat de Portugal (25 veículos)
17h - Apresentação do livro da Alba, pelo Eng. José Barros Rodrigues, no stand do ACP Clássicos
Domingo, 21 de Março
15h - Chegada dos participantes do encontro do Clube UMM (40 veículos)
Chegada dos participantes do encontro do Mercedes-Benz Clube de Portugal (30 veículos)
20h - Encerramento do Motorclássico

Durante todo o Salão Motorclássico:
Exposição 'American Beauty'
Exposição 'Jeep Attack!'
Exposição 'Automóveis Portugueses'
Exposição de Modelismo
Certificação de viaturas clássicas pelo ACP Clássicos

Horário:
19 Março – 18h às 22h / 20 Março – 11h às 22h / 21 Março – 11h às 20h
Local:
Pavilhões 1 e 2 da FIL – Feira Internacional de Lisboa – Parque das Nações
Preço de Bilheteira:
Adultos – €8 / Crianças – €3


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